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🌆 Estreia de Exterogestação Metropolitana no Theatro São Pedro

No dia 26 de outubro, às 17h, o Grupo Contemporâneo da EMESP estreia no Teatro São Pedro a minha obra Exterogestação Metropolitana.


Composta durante o meu período de licença-maternidade, a peça parte da vivência da exterogestação — período do qual o bebê, já fora do útero, ainda demanda a mesma presença e cuidado constantes da mãe —. Essa experiência íntima e cotidiana é transposta para o som através da justaposição de dois mundos contrastantes: o ambiente interno, acolhedor e delicado, e o ambiente externo, urbano e caótico.

Com instrumentação para fagote, piano, violino e quatro percussionistas, a obra explora a intersecção entre o cuidado maternal e o ruído da metrópole de São Paulo.


O glockenspiel evoca uma canção de ninar muito cara à mim durante esse processo, enquanto os demais instrumentos recriam poeticamente o bebê, suas marteladas de choro na minha cabeça, e as obras ininterruptas da cidade que o incomodavam no seu sono, misturando-se aos ruídos de ônibus, carros, motos e pessoas, entrelaçando-se e se desvinculando no tecido sonoro.

O resultado é uma trama sonora que mistura afeto e tensão, repouso e ruído, traduzindo a coexistência entre o íntimo e o coletivo.


Inspirada também por reflexões sobre a polimetria renascentista e a Missa Prolationum de Ockeghem, Exterogestação Metropolitana constrói camadas temporais e espaciais simultâneas, onde o tempo da cidade e o tempo da maternidade se entrelaçam poeticamente — associação que surgiu posteriormente, devido à semelhança das linhas na imagética da partitura.

 
 
 

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