🎶 Redescobrindo Sophia Dussek: reflexões apresentadas no Simpósio Internacional da Forma Musical
- Maria Argandoña Tanganelli

- 31 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Recentemente participei do Simpósio Internacional Forma Musical, que aconteceu na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP entre 29 e 31 de outubro de 2025, onde foi apresentado o resumo Redescobrindo Sophia Corri Dussek: Análise da Sonata III em Dó Menor, Op. 2, e Reflexões sobre o cânone de gênero na música de concerto.
Minha pesquisa tem como ponto de partida a Sonata III em dó menor, Op. 2, composta por Sophia Corri Dussek (c.1775–c.1847), uma das sonatas mais conhecidas para harpa desde o final do século XVIII e busquei evidenciar a estruturação, o domínio técnico e estético do primeiro movimento sobre o modelo formal clássico da forma-sonata nessa obra.
No entanto, o estudo vai além da análise musical. Ele também questiona o cânone de gênero na tradição da música de concerto — um campo em que as compositoras, historicamente, foram marginalizadas. Um dado revelador é que essa mesma sonata foi publicada em Londres, na década de 1790, sob o nome “Madame Dussek”, mas reeditada em Paris pela editora Pleyel apenas como “Dussek” — o que levou à atribuição incorreta da obra, de forma intencional visando as vendas, a seu marido, Jan Ladislav Dussek, por décadas.
Essa supressão de autoria ilustra o modo como as estruturas institucionais e editoriais moldaram o que se entende como “repertório central”. Como aponta Marcia Citron, em Gender and the Musical Canon (1993), o cânone não é neutro: ele reflete decisões históricas e ideológicas sobre o que deve ser ensinado, tocado e estudado.
Reconhecer e estudar compositoras como Dussek é um gesto de reparação e ampliação do olhar sobre a história da música.







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