EKHATERINA: Um Outro Eu em Som
- Maria Argandoña Tanganelli

- 1 de abr.
- 2 min de leitura

Em um cenário onde música e tecnologia se entrelaçam cada vez mais, EKHATERINA surge como um projeto de dream pop cinematográfico que não apenas experimenta com o som — mas com a própria identidade.
Inspirada pela estética melancólica e pelo imaginário visual das décadas de 1950–90, EKHATERINA habita um espaço onde a nostalgia se dissolve em atmosfera — onde emoção analógica encontra textura sintética.
No centro do projeto está a compositora Maria Argandoña Tanganelli, responsável por toda a composição, escrita e direção artística. Cada música nasce da artista — mas não necessariamente com a sua própria voz.
EKHATERINA é o seu doppelgänger. Antes de ganhar forma, muitas dessas músicas já existiam — guardadas, compostas em piano e voz, com melodia e harmonia já definidas. Foi a partir dessas estruturas que a artista encontrou na inteligência artificial uma possibilidade de expansão: construir novos timbres, inclusive uma voz que parte da sua própria — transformada, deslocada, projetada em outra presença.
A inteligência artificial entra nesse processo como instrumento.
Ela é utilizada na construção do timbre vocal e no auxílio à orquestração, sempre guiada por direção criativa precisa. Cada geração depende de um trabalho intencional de prompting — um processo de escuta, ajuste e decisão. A máquina responde, mas não cria por si só.
O resultado final retorna ao controle humano: a artista molda, refina e masteriza cada faixa, reafirmando sua autoria sobre a obra.
Nesse sentido, EKHATERINA não é um projeto sobre substituir o humano — mas sobre expandi-lo.
Reflete também um movimento maior na música contemporânea. Assim como sintetizadores e softwares redefiniram a produção musical no passado, a inteligência Artificial passa a ocupar um novo papel nos estúdios: não como criadora autônoma, mas como ferramenta expressiva.
A diferença está em quem conduz.
EKHATERINA existe exatamente nesse ponto de tensão — entre presença e projeção, entre identidade e construção.
Entre memória e máquina, há um eco.
Ouça EKHATERINA.
O álbum estreia neste Domingo de Páscoa.



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