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IA, Prompt e 4E Cognition — O Futuro da Música é Interação, Não Automação

Estou me aventurando na criação de um projeto autoral assistido por IA através de Suno e Soundverse, que devo divulgar em breve. Em paralelo, venho pesquisando 4E Cognition e a interação entre máquina e intérprete — tanto para meu mestrado quanto para uma submissão em congresso internacional. É nesse cruzamento que muitas ideias surgem.

Uma delas me inquieta profundamente:


Qual é o futuro das plataformas musicais na geração por prompt?

Antes de avançar, deixo claro que não entrarei aqui em discussões sobre direitos autorais, Content ID ou disputas regulatórias. Essas questões são fundamentais, mas meu foco aqui é o design da interação e o futuro cognitivo da criação musical mediada por IA.


Hoje já temos “hits” criados em segundos, inclusive por pessoas leigas em poesia e música. O resultado, claro, ainda vem carregado de ruídos — e quanto mais longo o áudio gerado (especialmente quando parte de uma gravação), mais esses ruídos parecem se acumular.

E há um ponto técnico crucial:

Ao exportar as stems, torna-se evidente a dificuldade de tornar o áudio 100% gerado realmente trabalhável em ambiente profissional. Muitas vezes, o material completo soa mais coeso do que suas partes isoladas. Ao separar voz, harmonia, bateria ou camadas orquestrais, surgem artefatos, vazamentos espectrais e inconsistências que dificultam mixagem e pós-produção.

Paradoxalmente, o arquivo fechado pode soar mais “pronto” do que as próprias stems destinadas à manipulação criativa.


E ainda assim… é quase mágico.

Você grava uma harmonia simples, uma melodia crua, e a IA orquestra tudo a partir de um prompt. Ou faz tudo sozinha — letra, música, arranjo — apenas com instruções textuais.

Isso levanta uma questão central:


Se a máquina já pode fazer tudo, qual é o papel da interação humana?

É aqui que entra o 4E Cognition.

Criação musical não é apenas geração de output. Ela é corpo, gesto, escuta, contexto, fricção, intenção situada.

Quando a interação se limita a “digitar e receber”, reduzimos o espaço cognitivo do intérprete.

Eu acredito que o próximo salto das plataformas não está em gerar mais rápido ou mais “perfeito”, mas em:


  • Ampliar a co-criação em tempo real

  • Permitir manipulação corporal e gestual

  • Incorporar feedback performático

  • Aprender com o estilo do intérprete de forma dinâmica

  • Transformar stems em módulos realmente editáveis e estáveis

  • Tornar o erro parte do processo, e não apenas um ruído a ser eliminado


A IA pode convidar leigos a aprender música de forma dinâmica. Mas também pode se tornar uma extensão sofisticada do compositor e do produtor.

A IA não precisa ser substituta quando há um processo híbrido interprete-máquina.


Talvez o futuro da música por prompt não seja “faça tudo por mim”.


Talvez seja:


“Crie comigo — em um espaço onde máquina e intérprete se transformam mutuamente.”
 
 
 

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